<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-19391583</atom:id><lastBuildDate>Fri, 20 Nov 2009 01:03:53 +0000</lastBuildDate><title>Sonhos e Clichês 2</title><description>Espaço para a contrição e reflexão, como é o Domingo de Páscoa, o Domingo de Ramos, o Dia de Ação de Graças -essa data tão brasileira! - e por aí vai. Purifiquem-se, jejuem e orem!</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/</link><managingEditor>noreply@blogger.com (Deco Ica)</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>188</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-5909418425490081032</guid><pubDate>Fri, 30 Oct 2009 12:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-30T11:28:20.520-02:00</atom:updated><title>Casais com filhos não podem morar num loft</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Vou lhe contar uma coisa, Carlos, todo mundo sempre achou que minha vida é fácil porque eu sou muito rico, mas a vida do rico é mais difícil que a do pobre. O pobre pega ônibus lotado e trabalha o dia todo, mas quando ele chega em casa consegue se desligar do mundo, jantar em paz com a família, assistir as 3 novelas que passam de noite e, lá pelas 10 horas, bota a cabeça no travesseiro e dorme feito uma pedra. Eu não. Eu estou com uma úlcera nervosa e não passa um dia sem que eu receba ligações no celular com algum problema da empresa para resolver. Perco assim as poucas horas do dia que poderia passar fazendo alguma coisa agradável. Para piorar, já tem vários meses que sofro de insônia crônica e já aconteceu de eu passar várias semanas seguidas dormindo apenas três horas por noite. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos, você é homem e deve saber como é horrível a sensação de não satisfazer sexualmente a sua parceira. Pois eu estou imprestável na cama, tanto com minha mulher quanto com minha amante. E o pior, Carlos, é que não consigo me livrar de nenhuma das duas. Minha mulher, se eu lhe der um chute, leva tudo o que eu tenho. E, de qualquer maneira, ela é uma boa mulher, uma boa mãe, uma esposa lúcida, econômica, discreta, elegante, filha de um homem fantástico... Eu já lhe disse a adoração que tenho pelo meu sogro, o Dr. Eduardo Telles Maia? Comecei como boy na empresa dele, ele me deu tudo, é um homem fantástico, um benemérito, me casou com a filha dele, ensinou tudo o que eu sei, me tirou da cadeia, pagou advogado, abafou o caso em que estive envolvido, do qual não quero falar agora... Também em consideração ao Dr. Eduardo é que nunca fui capaz de magoar a Lúcia, ela também ama o pai, confia muito nele, conta tudo para ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, Carlos, o fato é que tem dois meses que eu não consigo fazer a Lúcia ter um orgasmo. Me sinto um imprestável, quanto mais ela se mostre compreensiva. Compreensiva mesmo nos dias de puro estresse, em que meu pau não levanta de jeito nenhum, e ela faz uma cara compassiva e me diz "meu bem, isso acontece, você está trabalhando demais, deixa que eu te faço uma massagem". A massagem da Lúcia é péssima, me deixa inteiramente moído. Até prostituta de cinquenta reais já me fez massagem melhor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Minha amante é mais jovem, mais atraente e totalmente submissa, como deve ser uma amante. Nunca me ameaçou nem chantageou, mas tenho medo dela. Conheço coisas desabonadoras sobre seu passado. Nunca se deve confiar numa mulher, mesmo que ela seja uma mulher muito religiosa, aliás, dessas é que mais devemos desconfiar, sempre me disse o Dr. Eduardo, que perdeu a esposa muito cedo, porque a mãe da Lúcia foi levada pelo câncer quando ela tinha nove anos de idade. É a pura verdade. Você sabe, Carlos, o quão pérfidas e manipuladoras são as mulheres. Lúcia? Também é. Sei o que disse há pouco, que ela é uma santa mulher e que, por isso, não a chuto. Mas também Lúcia é manipuladora, e pérfida. E me obrigou a se casar com ela usando o pai, ela sabia que eu faria qualquer coisa que me pedisse o Dr. Eduardo. O Dr. Eduardo me chamou um dia no escritório, me disse "pega, experimenta um desses, mandei trazer de Cuba" e fumamos por um bom tempo, os dois calados, o Dr. Eduardo sempre pensa muito antes de dizer alguma coisa, e enfim ele me disse "Eu faria muito gosto que você namorasse a Lúcia", e um ano depois eu estava entrando na igreja, uma cerimônia linda, a Lúcia escolheu as músicas, os arranjos, tudo, ela tem excelente gosto, e a festa foi arrasadora, reuniu a melhor sociedade da época, e eu ainda era um bichinho do mato, arisco, me cagando na frente daqueles figurões. É controverso isso, porque sempre fui muito inteligente, seguro de mim mesmo e com tino pros negócios, mas no começo eu não me sentia à vontade, sentia como se tivesse invadido a vida de outra pessoa, uma vida que não era para mim, você está entendendo o que estou dizendo? Os anos se passaram e eu fui amadurecendo aquilo, creio que com a ajuda da Lúcia e do Dr. Eduardo, e me esqueci completamente que já usei um dia meia furada, que já comi pão com mortadela no balcão da padaria e que já fui ao baixo meretrício, comer aquelas baianas com tatuagem no rêgo. Já lhe falei o quão escroto eu acho que é uma mulher ter tatuagem? A Lúcia tem a pele lisinha, branca, uma tez maravilhosa, mesmo agora, com quase cinquenta anos. Nossa filha queria fazer uma tatuagem, eu ia proibir, mas Lúcia me disse "querido, deixe que eu falo com ela", e ela demoveu minha filha da ideia, não sei quais argumentos usou, mas nunca mais se falou no assunto. Lúcia é uma boa mãe, aliás, uma ótima mãe.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto que estou fugindo do assunto. Carlos, minha vida está um inferno. Estou perdendo tempo, dinheiro. Tempo é dinheiro, e o tempo é o senhor da razão. Logo, o dinheiro é o senhor da razão. Isso talvez explique porque eu defino minha vida, sempre que perguntado, como "uma loucura". Minha terapeuta quer que eu tire férias, ela acha que é simples assim, que eu posso reunir meus diretores e dizer "senhores, eu estou tirando férias, vou para algum lugar no Caribe ou no nordeste do Brasil salgar a bunda, e deixar vocês explodirem com a empresa na minha ausência". Sabe quando o Dr. Eduardo tirou férias, desde que fundou a empresa que eu hoje dirijo? Somente no dia em que me casei com Lúcia e assumi as funções dele. Desde então ele vive férias permanentes, mas está sempre dizendo que a vida dele está uma bosta. Isso me desespera. Será que minha vida será permanentemente uma bosta também? É o que lhe digo, o pobre trabalha a vida toda, mas um dia se aposenta, porque Getúlio Vargas deu esse direito aos pobres. O rico não se aposenta, a gente não se aposenta de um padrão de vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos, você sabe que é como um filho para mim e se te deleguei tantas responsabilidades, é porque sei que você dará conta. Mas entenda uma coisa, já que você e Karina, minha amada primogênita, vão começar uma vida agora: casais com filhos não podem morar num loft. Cachorro não é filho, eu não sou avô de cachorro. E quero que você durma todas as noites. Você pode vir aqui? Estou me sentindo muito só. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-5909418425490081032?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/10/casais-com-filhos-nao-podem-morar-num.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-3113195392450243596</guid><pubDate>Mon, 26 Oct 2009 14:08:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-10-26T12:23:03.635-02:00</atom:updated><title>Sensações</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Muita luxúria. Muita energia procurando um canal pra sair do meu corpo, da minha mente, dos órgãos saudáveis. O perfeito funcionamento físico, alavanca bem lubrificada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Labirinto minha mente. Ideias em espiral. Muita luxúria. O Anjo Pornográfico. Perdão a Nelson Rodrigues pelo epíteto que estou roubando. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Labirinto e muita bandalheira na minha cabeça. Cheiro, forma e cor. Curvas. Vontade de tatear o convexo da cintura de certas mulheres e agarrar firme a carne, como um náufrago agarraria a tábua de salvação. Apertar nádegas, bulir coxas, escorregar a mão por locais cheios de sombra, mistério, aroma e fantasias. Despir-nos. Das convenções, das roupas, do certo e do errado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não. Nessa fantasia não há mais espaço para absurdos. Quero um sexo limpo, perfeito, romântico e antirromântico. Quero o amor. O amor que não existe, e jamais existirá. O amor que não é apenas o ato, mas a justificativa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero acordar sem sobressaltos. Quero que o sonho seja mais compensatório. Quero ver o mundo de novo com os olhos de uma criança e, ainda, quero ver o sexo com os olhos de uma criança. A eterna criança que vê a vida pelo buraco da fechadura. (Novamente: perdão, Nelson). A eterna criança que sou. Uma criança-máquina, alavanca bem lubrificada. Mas que só funcione a seu bel-prazer. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-3113195392450243596?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/10/sensacoes.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-7263545036802758390</guid><pubDate>Thu, 17 Sep 2009 23:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-17T21:15:12.910-03:00</atom:updated><title>Sobre as mulheres bonitas de lugares feios</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Esta cidade está cheia de moças bonitas. Brotam de todos os cantos, cruzam meu caminho, e eu troco olhares com as nádegas delas. Olho tímido, de esguelha, no início. Mas os glúteos maravilhosos dessas damas me encaram provocadores, petulantes, com aquele brilho que só encontramos no olhar dos apaixonados. É um ir e vir de deixar maluco. Uma coisa que, quando some no horizonte da visão, deixa vazio, tristeza e saudades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas não apenas bundas. Há também as moças pequenas e singelas, que você acha que tem dezesseis anos, mas mesmo assim quer botar no colo, com boas e más intenções. Essas eu encontro nos ônibus. Algumas querendo ser mulheres, com sua maquiagem, decotes e olhares calculados. Outras querendo eternamente permanecer molecas, de tênis all-star e discrição, mas indiscretas mesmo assim, pela feminilidade natural. É uma coisa bonita. Eu gosto de gostar das mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Ando, é bem verdade, triste. Sozinho, como um legítimo poeta que não sou. E meu coração se enternece mais facilmente - se é que esse babaca alguma vez encontrou dificuldades para se apaixonar - por essas coisinhas. Miudezas e grandezas. Imagino, confabulo, o jeito de ser de cada uma delas. Das que vi pela primeira vez e das que vejo todos os dias. Teriam alguma graça no falar, no andar, no jeito de expressar as ideias? O coração tem generosidade? E a malícia? Quanto de malícia há na menina, na mulher? Quais coisas sacanas você tem para me dizer, para me surpreender?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já vi mulheres bonitas nos lugares mais feios. Flores que nascem no limo. Hoje mesmo, andando longe de casa, as vi assim, pela janela do ônibus, no meio do cinza, indo ou voltando de algum lugar. Que bundas, que pernas, que seios! E olhos, e boca, cabelos, adornos. Palavras. Não, palavras não ouvi. Meu contato com o mundo assim tem sido, apenas visão e olfato, e o tato no vidro. Block. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Penso no que virá. Em quem anda em algum lugar por São Paulo, ou na América Latina, ou nessas quebradas do mundaréu, esperando (ou não) a minha presença, o mel e o fel das minhas palavras. Palavras bonitas de um quase poeta, vãs. Palavras vãs, desperdiçadas todos estes anos, de bater em ouvidos duros, ou corações duros, ou os dois. Palavras produzidas para comover e conquistar mas que até hoje só encabularam ou, no máximo, lisonjearam. Palavras sacanas e pervertidas de um menino santo e tímido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas afinal, onde anda a poesia?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Não, não mais direi "bunda". Direi "encantos". Sobre mulheres que me seduzem com seus... encantos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-7263545036802758390?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/09/sobre-as-mulheres-bonitas-de-lugares.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-4750669578248419369</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2009 20:43:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-09-07T18:38:30.822-03:00</atom:updated><title>Para você entender POR QUÊ eu não deveria ter um blog</title><description>(Auto-)Espinafragens:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; A) Guevara nos enganou. Cadê aquele mundo melhor em que eu acreditava, quando tinha 17 anos? Para onde foram Bandeira, Vinicius, Drummond e todos os poetinhas que a gente tinha em alta conta? De repente, todos viraram velhos chatos e imprestáveis. Pedantes insuportáveis.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; B) O PT nos enganou. O PSTU também. Mas nem vou discorrer sobre o tema, porque isso é azar meu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; C) O romantismo me fez perder um tempo precioso. Porém, também não estou e nunca estive apto a ser um hedonista. O meio-termo, como todo meio-termo, é chato, morno, burguês e comodista. Estou mergulhado no tédio da espera e não tenho mais sequer a raiva e o inconformismo de sempre para aliviar minha consciência. O romantismo me deixou chupando o dedo, com pinto duro e cara de trouxa. Rá, bem feito!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; D) Meus sonhos transmutaram-se. E meu coração, como não poderia deixar de ser, tornou-se burguês. Meus pensamentos estão naquilo que as mãos humanas podem tocar, que o dinheiro pode comprar e que ninguém pode contestar. Vil metal? Quem fala em vil metal não deixa de passar no ECAD, pra pegar o seu. Quando não está no Uruguai. Existem as amizades e o amor, é verdade. Mas existe o dinheiro, e não podemos mais ignorá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; E) Um ânus. Procura-se um ânus em estado de novo, para ser fruído. Paga-se bem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; F) F? F de foda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; G) Às vezes eu tenho vontade de socar todo mundo. Bater bastante mesmo, deixar marcas, tirar sangue, deixar hematomas, roxos, cortes, cricatrizes, bater até a pessoa começar a rir, com os dentes balangando dentro da boca. Não somente nos inimigos (que não tenho) e nas pessoas desprezíveis, mas também nos amigos. Tenho vontade de fazer como aquele doido da novela e dar raquetadas nas pessoas. Rapaz, não sei por que isso. Tem gente que tem vontade de se lacerar, flagelar. Outros, de dar a bunda. Outros, de furar o corpo todo com piercings e porcarias desse tipo. E outros, ainda, de depredar o patrimônio público, cometer pequenos delitos, maltratar os animais. Eu não. Eu tenho vontade de bater. Não fosse tão franzino, compraria um saco desses de boxeador pra dar umas porradas. O caminho do pacifista é a porrada. Do covarde, a violência. É isso? Deve ser isso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; H) Quem me cobra a felicidade é feliz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; I) A Bahia não me deu régua e compasso, mas São Paulo me deu o andar apressado, o amor pelo céu nublado e um sentimento cínico de análise permanente das pessoas e situações. Que nada mais é do que recalque por não ter nascido nessas belas terras tropicais, banhadas pelo céu e mar, com povo hospitaleiro e festa o ano inteiro. Mas, no fundo, no fundo: grandes bostas isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;J) Tem coisas que só eram boas dez anos atrás: o Galvão Bueno, a Suzana Vieira, a Britney Spears. Enfim, tudo que é esporrento, depois de uns dez anos, perde totalmente a graça. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;K) Tá gostoso, tá?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;L) Pré-sal. Pré-sal, pré-sal. O Lula não sabe falar de outra coisa, não?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;M) Essa semana, em mais de um dia, defequei por duas vezes no período de 24 horas. Bolo fecal de consistência sólida, cor parda-escura, pequenas manchas marrons ao longo do material de formato cilíndrico. Canudos longos, porém finos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;N) Quem sou eu? Quem sou eu além da imagem que transmito? Sou, como todo mundo, maldoso. Faço juízo de valor, magoo até quem gosta de mim. Isso todo mundo faz. Mas como eu sou mais besta que todo mundo, as pessoas exploram bem meu sentimento de culpa. Certas elas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O) O fim. Acabou a feira: chega de abobrinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-4750669578248419369?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/09/para-voce-entender-por-que-eu-nao.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-6087997472427803507</guid><pubDate>Sun, 09 Aug 2009 00:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-08T22:46:59.651-03:00</atom:updated><title>Confissões Inconfessáveis de um Romântico Incurável</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu gosto de mimar e ser mimado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de moças bonitas, mas não basta ser bonita. Precisa ser generosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Precisa ser inteligente também. Não do tipo intelectual, propriamente. Mas inteligente a ponto de ser graciosa até quando não sabe uma coisa e pede explicação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu me desmancho com sorrisos e carinhas de quem acha que aprontou. Sou apaixonado pelas menininhas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de mulheres calorosas. Cientes do que querem. Mulheres que saibam conduzir e saibam serem conduzidas. Que, na cama, saibam exatamente o que fazer pra me tirar do sério, me enlouquecer, me deixar de joelhos, tirar de mim a última gota e o último urro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que saibam se entregar, que se permitam ter comigo todo o prazer que posso dar. Nada me faz melhor do que saber que consegui dar prazer. Eu adoro dar prazer, em todos os sentidos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu gosto de tudo que deixe lembrança boa. Uma frase impensada, uma declaração inesperada. Uma brincadeira que, de repente, ganha uma conotação séria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gosto de proteger. De ser gentil. De me aperfeiçoar cada vez mais na arte do galanteio. Mas gosto também de esquecer, de vez em quando, de fazer uma gentileza, e então ser cobrado por isso. Cobrado com um sorriso ou um muxoxo, cobrado daquele jeito especial que só as mulheres sabem fazer. Pra me levar pra onde bem querem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu acredito na força e inteligência das mulheres. Acredito também na malícia e perfídia delas. Tenho com elas uma relação de amor, sem ódio. Ou de pouco ódio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostaria de poder amar todas as mulheres do mundo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inclusive as feias. Já amei algumas feias. Mas elas, mesmo sendo feias, não me amavam. Talvez porque não fossem feias, ou porque tivessem ficado bonitas no meio do caminho. Não importa. Amar uma feia é uma coisa diferente. É uma coisa saborosa também.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amar as bonitas é doce e trágico. É esquisito. Ainda mais as que não são apenas bonitas: já amei mulheres incríveis, por dentro, por fora, por todos os lados, em todas as dimensões.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E amo, hoje, a mais incrível de todas elas. A que melhor soube me seduzir, voluntária e involuntariamente. A que, com uma palavra, um olhar, ou um sorriso, me faz ter vontade de pular do 8º andar daquele prédio e cair no chão apoiado nas quatro patas, como um gato, na rua suja de um dia sujo. A Mulher de Vidro. Todo o prazer que pode estar contido numa mulher que se deseja. Uma deliciosa dançarina caribenha que frequenta meus sonhos, que carrega minhas vontades, que é depositária do meu mais insuportável desejo. Quando penso nela, no que veio e no que virá, tenho a impressão de que o tempo vai parar de repente, e estaremos os dois sozinhos, frente-a-frente, sem obstáculo no caminho, sem nada pra reter aquilo que, de alguma forma, está marcado pra acontecer.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somente Deus sabe as contradições que passam pela minha cabeça e como essa onda volta cada vez mais forte pra praia, devastando o que há de sensato, perfeito e aceitável.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero o sussurro, o gemido e a voz arfante dessa mulher nos meus ouvidos, como uma sinfonia, indicando que é possível enlouquecer e depois voltar à razão, pecar e depois ser absolvido, ter prazer furioso para depois voltar à paz daqueles que tem por meta só andar pelos lugares que têm vontade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quero ser seu cúmplice, seu amigo, seu irmão, o cais onde o barco ancora antes de cruzar um oceano de coisas turbulentas, viagens longas e sem previsão de volta, aventuras boas e más por rotas perdidas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem. Vem comigo. Vem agora. Vem que eu tô esperando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-6087997472427803507?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/08/confissoes-inconfessaveis-de-um.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-3890758203123560644</guid><pubDate>Sat, 01 Aug 2009 21:46:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-08-01T19:23:14.481-03:00</atom:updated><title>O caminho é uma reta e desemboca onde eu quero chegar</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Quando penso em voltar, eu penso que não vai ser possível. Mas aos poucos, isso está deixando de me deprimir. Só quem anda pra trás é caranguejo, e o finado Michael Jackson, quando fazia o &lt;em&gt;Moonwalk&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas às vezes, me dá uma bruta de uma saudade. Saudades de pessoas, de lugares, de coisas pequenas, de sentimentos. Saudade de uma música, de um cheiro, de uma arrebatamento de paixão, um porrezinho, um poeminha mal-escrito. Mas eu penso comigo mesmo: era mesmo essas grandes coisas? Não andei por acaso superestimando os fatos? É certo que sim. Todos esse amores nunca me deram camisa. Agora eu decidi que quero me agarrar apenas aos sonhos possíveis. Nada de bobeira, nada de pensar na morte da bezerra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Amadureci? Não sei. Às vezes ainda tenho uns fricotes e atitudes de menino mimado. Que eu nunca fui, diga-se de passagem. Fecho a cara, faço bico e isso em mim fica cômico, provoco riso quando o objetivo era provocar o outro. Um adulto que parece criança. E ainda por cima, não sou mais aquele jovem que tinha um pôster do Che no quarto e acreditava naquilo que todo mundo acredita quando tem 17. Só quero ganhar meu dinheiro, fazer minhas coisas. Eu sabia que ia ser assim, que eu ia me tornar isso. Vi acontecer com naturalidade, apenas achava que sentiria remorsos quando minhas ideologias sumissem. Mas, nem sinto. Durmo como uma pedra, não dou mais esmola, e se tenho raiva dos ricos, deve ser mais por recalque do que por algum sentimento justiceiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu penso o tempo todo em todas as pessoas que conheço. Suas qualidades, suas limitações, as coisas que vivi junto com elas. Nossa, como eu amo o ser humano. É estranho isso. O ser humano é um bicho cansativo, chato, derrotista. Mas, ao mesmo tempo, meu coração se enche de alegria quando penso nos meus amigos, na minha família, na minha infância. Quando eu penso em todas as doenças que eu tive em menino, que podiam ter me matado. Quando eu penso em como eu cresci, em como sou querido, admirado. Não por muita gente, é verdade, mas por pessoas que importam pra mim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem sei, no fim das contas, o que estou querendo dizer. Mas é importante dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-3890758203123560644?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/08/o-caminho-e-uma-reta-e-desemboca-onde.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-2237875800895642485</guid><pubDate>Fri, 17 Jul 2009 00:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-16T22:03:31.860-03:00</atom:updated><title>Pela bola sete*</title><description>&lt;div align="justify"&gt;O Bereco era do devagar. Não queria nada com o batente. Seu negócio era sinuca. E nisso ele era cobra. De taco na mão fazia embaixada. Conhecia os trambiques do jogo e sabia como entrutar o parceiro. Então estava sempre com a bufunfa em cima. Sabe como é o lance. Sempre tem um panaca pra desconhecer o nome do mandarim. E o Bereco ajudava. Se vestia como um Zé Mané qualquer. Neca de beca tranchana. Isso espanta o loque. O babado era se fazer de besta. Tirar onda de operário trouxa. Desses que dá um duro do cacete de sol a sol, se forra de prato feito, e na folga vai fazer marola em boteco. Daí sempre tem um malandrinho pra tomar os pichulés do otário. Se fazer passar por coió era o grande trambique do Bereco. Com essas e outras ele engrupia até muito vagau escolado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até no Bar Seleto de São Vicente, ponto certo dos grandes tacos do mundo, o Bereco deu esse deschavo. E grudou. Pensaram que ele era pão-ganho e ele tomou o sonante dos pintas. E assim o Bereco ia remando seu barco em maré mansa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é como diz o Mestre Zagaia:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Um dia é da caça, outro do caçador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se o Zagaia diz, é que é. Todo o mundo sabe disso. Porém, acontece que, como não dá pro nego tocar fogo no mar pra comer peixe frito, tem que botar pra quebrar. E o Bereco ia firme. Só ganhando. Um pato atrás do outro era depenado. Sem dó. Que nas paqueras da vida é cada um pra si. Mas chegou a virada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era fim de mês. Dia de pagamento da Refinaria de Petróleo. O Bereco que estava por dentro se picou pra Cubatão. Se plantou num salão dos bordejos da refinaria e ficou na moita. Logo foi baixando a freguesia. Tudo de capacete de lata. A batota estava contentona de envelope no churro. E o Bereco só espiando o lance. De vez em quando tirava um paco de nota pra pagar uma Coca-Cola. Era a milonga. Logo um capacete de lata mais afobado se assanhou com o dinheiro do majura. Sentiu a muquinha pega e quis tomar. Mediu o Bereco e foi no xaveco do pinta. O Capacete de Lata tinha um joguinho enganador. Desses que é bom em mesa de sindicato. Mas levou fé em si e nenhuma no Bereco. Encarnou no moço:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Como é, parceiro? Quer fazer um joguinho?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Bereco não deu pala:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Jogo nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Capacete de Lata cercou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— A leite de pato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Bereco deixou andar:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Se é de brinquedo, vamos lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E começou o jogo. Bereco sentiu o parceiro e tirou de letra. O Capacete não sabia nada. O Bereco deu o engano. Os primeiros dez mirréis, os segundos e os terceiros o Bereco empurrou pro trouxa. E se fez de bronqueado. Partiu pros vinte, pros cinqüenta e pros cem mil. O Capacete de Lata estava se deitando. Era seu bilhete premiado. Com o dinheiro que ganhou do Bereco, o seu ordenado já tinha um milheiro no porão. Daí o Bereco selou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Ou tudo ou nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Capacete de Lata nem balançou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Um milhão na caçapa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo o mundo de botuca ligada na mesa. O Capacete saiu pela cinco. Errou. O Bereco se tocou que o xereta estava nervoso. Teve que maneirar. Cozinhar o galo. Senão ia ficar escrachado o perereco. Errou na cinco que estava cai não cai. E o joguinho ficou de duas muquiranas. Só na bola da mesa. O Bereco não embocava. Só colhia as mancadas do Capacete de Lata. Se o bruto batia uma três, o Bereco fingia que era sem querer, e deixava uma sinuca de bico pro inimigo. E na catimba do Bereco e no virador do Capacete de Lata o jogo foi comprido pacas. Os sapos nem chiavam. Seguravam as pontas. Era tudo torcedor do Capacete de Lata. Trabalhadores da refinaria de petróleo de Cubatão. Mas o Bereco nem estava aí. Já contava com o dinheiro da caçapa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí chegaram na bola sete. Só a sete estava na mesa. E o jogo estava por ela. O Bereco folgado, muito à vontade encostou a negra na parede. O capacete de lata tremia, suava. Estava com o motor batendo acelerado. Fez mira. Começou a pensar que tinha quatro filhotes no seu chatô, aluguel de casa, rango, escola, remédio e os cambaus. Pensou no que ia dizer pra mulher. Com a cabeça cheia de minhocas deu na cara da bola. Uma chapada. A negra rolou para um lado, a branca pra outro. O Capacete de Lata sentiu um alívio. Pelo menos acertou na bola. Mas o recreio durou pouco. Quando as bolas pararam a sete estava na boca da botija. Pedindo pra cair. E a branca no meio da mesa. Ninguém por mais cego que fosse errava aquela. O Bereco sorriu. Deu a volta na mesa devagar. Bem devagarinho. Enrustido, sem dar bandeira ia gozando as fuças do otário. O Capacete de Lata só faltava abrir o buê. Deu a volta e ficou atrás da caçapa em que a bola ia cair. O Bereco deu uma dica de leve.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Vai secar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Capacete de Lata quis falar mas não deu. Se engasgou. O Bereco não se flagrou no olhar do panaca. Se tivesse visto as bolas de sangue nas botucas do Capacete de Lata ia ficar cabreiro. Não viu e fez a presepada. Passou giz no taco com calma. Se ajeitou na mesa, com calma. Aí levantou a mira. Viu a bola branca, a sete, a caçapa, atrás da caçapa um revólver quarenta e cinco, atrás do revólver o Capacete de Lata. O Bereco quis saber:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Que é isso, meu compadre?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Capacete de Lata espumou, babou e resmungou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Se meter essa sete, eu te mato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Bereco viu logo que era jura. Se fechou em copa. Deu na bola de esguelha, o taco espirrou. Relou na sete e as duas ficaram na berba da caçapa. Coladas. O Bereco fingiu que não havia nada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Ficou pra você, compadre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Capacete de Lata guardou o revólver treta, a raiva e tudo. Foi de cabeça. Deu no taco e bimba. A branca e a negra mergulharam juntas. O Bereco só ficou olhando. As lágrimas correram nos olhos do Capacete de Lata. Estava tão embaixo que não dava pra pegar a arma e aprontar o salseiro. Só deu um lamento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;— Tenho quatro bacuris.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Bereco fez que não escutou. Recolheu a grana e saiu de fininho. O Capacete de Lata saiu logo atrás. Ninguém se mexeu. Passou um tempo e veio o estouro. Meio mundo foi ver as rebarbas. No meio da rua o Capacete de Lata estava estarrado. Tinha o revólver na mão e uma bala na orelha. Se acabou. O Bereco só teve pena de nunca mais poder dar grupo em trouxa do Cubatão. Perdeu um grande pesqueiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------------------------------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;*&lt;strong&gt;Pela bola sete, Plínio Marcos.&lt;/strong&gt; Crônica publicada em &lt;em&gt;Última Hora&lt;/em&gt;, 12/01/1969&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-2237875800895642485?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/07/pela-bola-sete.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-6566829339668670536</guid><pubDate>Wed, 01 Jul 2009 21:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-07-02T10:46:58.973-03:00</atom:updated><title>Morder a vida com todos os dentes</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Quando meu bisavô paterno, o velho Nicolás, resolveu sair de Granada, Espanha, se enfiar um navio e vir pra cá, no começo do século XX, ninguém disse pra ele que seria fácil. Mas ele - sabe Deus por quê! - resolveu fazer isso, e veio, e se estabeleceu como funcionário da prefeitura de São Paulo, e teve uma penca de filhos, supostas amantes (atraídas pelo charme de um espanholzão forte e charmoso) e um enfarte quando ainda não podia ser chamado de velho. Deixou pro meu avô, como herança, o próprio nome que ganhou quando se naturalizou brasileiro, Nicolau Gimenez Garcia, sendo meu avô o Gimenez Garcia Filho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando meu avô, o velho Seu Nicola, começou a trabalhar na prefeitura, ainda moleque, como aprendiz, tendo que subir num caixotinho de madeira pra alcançar a bancada, ninguém disse pra ele que a vida era fácil. E realmente, a vida não é fácil pra um cara que tem três filhos pra criar e um temperamento difícil. Mas porra, meu avô até que se saiu bem. Hoje assiste os &lt;em&gt;westerns &lt;/em&gt;dele na TV à cabo, lê o jornal, não bebe mais, não fuma mais e até o refrigerante cortou. É bem verdade que tem uma penca de manias, que estão sendo transmitidas de geração pra geração (não, ainda não chegou a hora de falar do meu pai), mas é um cidadão-padrão, casado há muitas décadas com a minha vó, uma esposa à moda antiga, também filha de espanhóis, faladeira, sempre querendo agradar e às vezes não agradando. Pra ela também ninguém deve ter dito que a vida era fácil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando meu pai teve que largar o samba pra correr atrás do meu pão, ele deve ter pensado "é, nêgo. A vida não é fácil". Minha mãe, então... Tinha acabado de perder o pai, sustentava a casa e engravidou de um namorado com o qual ela não tinha planos de se casar. E se casou. E aí foi o mundo nas costas dela, como é até hoje. Mãe, marido e filhos. Mas ela tá aí na luta. Nunca me disse que a vida é fácil, mas faz de tudo pra torná-la fácil pra mim. Ela e meu pai, aliás. Nunca ouvi, deles, palavras de desconsolo. Já vi os dois em situação difícil, mas eles sempre me incentivaram a seguir caminhando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida não foi fácil pro meu avô materno, alcoolatra, trabalhador, homem conhecido pela gentileza e educação quando não estava de porre. Não foi fácil pra minha vó materna, que fazia faxina pra fora, que criou a filha com dificuldade, que se desesperou com o vício do marido e que depois, quando ele se foi e os netos vieram, os criou pros pais, meus pais, poderem trabalhar fora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A vida não é fácil pra dona Maria, copeira do hospital Pérola Byington, não é fácil pro Severino, porteiro de prédio chique em Higienópolis, nem pro Ademir, motorista da linha Jd. Fontalis-Barra Funda. No entanto, cada um do seu jeito, eles estão tentando. Tentando morder a vida com todos os dentes, na fúria de quem quer arrancar pedaço. O mendigo Zé Sujo que, quando deixam, toma banho no chafariz do Largo da Memória, não tem dentes, mas morde a vida com as gengivas, e morde de tal jeito que dilacera, e ele ri, ele ri desenfreado, sem culpa, sem medo, porque a vida é isso aí mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu, que não vim de outro país, que não lavo casa dos outros, que não tenho vício nem doença, que comecei a trabalhar com 23 anos de idade e na profissão que &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; escolhi pra mim, eu que tenho tudo que meus pais puderam dar, além de não ser (muito) feio nem (muito) burro, eu fico nessa de olhar a vida, com a boca cheia de saliva, e não morder. Esperando o prato esfriar, o garçom passar, a fome chegar. Esperando? O amor? Que amor? Petiscando sonhos, pensamentos fixos, bobocas, que me fazem perder um tempo do cacete. Que marola é essa? Quando foi que eu fiquei desse jeito? Esperando cair migalha da mesa? Sendo que na minha frente tem de tudo, do bom e do melhor? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe qual é, meu irmão? Cansei dessa pataquada toda. Afiei meus caninos e agora sim, com meus trinta e poucos dentes, meus vinte e poucos anos, saúde de ferro e nervos de aço, eu decidi que vou pra luta. Foda-se quem for contra. Tem muita gente, viva e morta, que eu não posso mais desapontar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-6566829339668670536?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/07/morder-vida-com-todos-os-dentes.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>4</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-1029100012737918441</guid><pubDate>Wed, 24 Jun 2009 13:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-06-24T10:28:13.987-03:00</atom:updated><title>Descrição curta de um sonho</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Encanei que precisava ir a um lugar do meu passado, um lugar onde outrora tive prazer e alegria. Porém, na atual conjuntura, era maluquice ir lá, ainda mais podendo ser visto pelas pessoas que lá vivem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo assim fui, e me perdi no bairro. Os caminhos tinham mudado. As ruas não desembocavam mais onde davam antes. E, lá pelas tantas, sentia minhas pernas pesadas como chumbo, e não conseguia sair do lugar. Estacionei em frente ao "Hospital Cerejeiras", onde um casal estranho me olhou esquisito e só veio em meu socorro quando reclamei de cãibras. Estiraram minhas pernas, e então consegui novamente andar, mas com muito esforço. (É uma sensação esquisitíssima você sonhar que não consegue andar, que anda, anda, e não sai do lugar. E não é a primeira vez que sonho isso). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando saí do hospital, vinha passando um carro com meus amigos de sempre e nos deram uma carona pelo bairro, um bairro que conheço tão bem, mas que no sonho me era tão estranho. Eu queria saber se, como o bairro, a casa também tinha mudado. E queria vê-la, é claro. Mas tinha receio que ela me visse. Na ânsia de chegar lá, queria descer do carro, e todos zombavam de mim. Zombavam por eu ser um cara tão patético assim, que quer voltar para onde não deve. Zombavam por eu carregar comigo aquela bola de boliche preta, velha, com furos a mais e que eu não sabia explicar de onde veio nem porquê estava comigo, tampouco porquê não a largava.  Zombavam por eu sequer saber que ainda faltava muito para chegar perto de lá.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então paramos num ponto onde havia uma imensa escadaria. Somente um amigo, condoído talvez, se dispôs a me acompanhar naquela "maluquice" - o que você vai fazer lá? Iniciamos a subida. Minha expectativa era grande, assim como a saudade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estávamos no meio da escada, eu sabia que ela daria na rua certa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fui acordado. Era hora de sair pro trabalho. Melhor assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-1029100012737918441?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/06/descricao-curta-de-um-sonho.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-1999870883138195288</guid><pubDate>Sun, 24 May 2009 18:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-24T16:23:46.003-03:00</atom:updated><title>Memórias Sentimentais Imaginadas</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Invenção 1.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu a conheci na fila do banco, ela ia descontar um cheque. Cheque de quem? Do patrão? De um cliente (ela era uma stripper &lt;em&gt;part time&lt;/em&gt;)? De um freguês do salão? Da aposentadoria da tia? Gratificação? Cheque roubado? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu me aproximei, disse "não se mexa", delicadamente aproximei meu indicador do seu queixo e cocei devagar, com cuidado, até retirar aquele pontinho preto que maculava um milímetro da pele branca, extremamente branca, desprovida de maquiagem. Ela, como nos meus sonhos, sorriu para mim, olhou-me em direção dos meus braços, perguntou "você gosta de poesia?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na cama, era langorosa, ao mesmo tempo que lasciva. Fazíamos amor por horas, sem cansaço, sem tédio, sem pudor, sem os grandes pensamentos que atrapalham as pequenas ações. Nos superávamos sempre, cada re-edição do ato era um volume melhorado, aprimorado, próximo da perfeição, ainda que a perfeição não exista. A simples proximidade dos seus lábios com qualquer parte do meu corpo, da mais inocente à mais íntima, me enchia de uma indescritível energia, uma coisa que me fazia voltar à origem, a todas as reminiscências, outras vidas?, não sei, evito leviandades. Entre um exercício e outro, ríamos um pro outro, calados. Palavras eram desnecessárias e talvez fossem mesmo até perniciosas naqueles dias. Eu amava, mas ainda não me sentia completo. Sentia um imenso vazio, uma agonia, e achava que se nem essa coisa suprema que é o sexo podia me satisfazer, o que poderia?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Invenção 2.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou um latifundiário e ela é escrava do meu feudo. Tem a pele marrom brilhante, ancas largas, dentes muito brancos. Mas seu rosto é duro, rude, e a boca é expressiva apenas quando ela quer provocar. Desejo seu corpo, tenho febres à noite, que me fazem levantar da cama, atirar água às faces. Volto, reviro-me, de um lado para o outro. Nada me alivia. Penso em me masturbar, volto ao banheiro. Nada me alivia. Visto uma camisa, ajeito as calças, calço um chinelo e desço as escadas. Ela vive num barraco, aos fundos da propriedade. Dorme com a janela aberta, por causa do insurportável calor que faz aqui. Eu afasto com o pé os objetos que estão no chão, enfio primeiro a perna direita, depois a esquerda. Estou no seu quarto e ouço seu ressonar. Aproximo-me do seu leito e a visão do seu corpo nu, sólido, preto na escuridão da noite me enche de uma emoção e de um medo que me fazem recuar um passo. Meu pé esbarra numa bacia, ela acorda. Sinto que quer gritar, mas não o fará. Ela jamais deixará que eu saia da luta como vencedor. Quando estou sobre ela, penetrando-a, ela não esboça reação, não demonstra a mais ligeira vontade de lutar. Sua apatia, sua entrega, seus gemidos, tudo isso faz parte de um estratagema detalhadamente calculado. Ela sabia que isso ia acontecer. Ela me quer, mas não dessa forma. Ela quer me subjugar, inventer o jogo a seu favor. Quase me arrependo de ter caído em sua armadilha, mas agora é tarde para voltar atrás. Alguns segundos antes de eu chegar ao clímax, junto com ela, ouço-a dizer, a voz mole, contrastando com os duros músculos do seu corpo: "seu branquinho safado".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Invenção 3.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ignorância da verdade pouparia esses sofrimentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Você dormiu com ele?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela me olha fundo nos olhos e seu silêncio me faz compreender a resposta para a pergunta. Pergunto se ela sentiu prazer. Novamente o terrível silêncio, que eu não desejava ouvir. Sigo na minha pequena auto-punição, pergunto pormenores, detalhes, querendo montar o quebra-cabeça de toda aquela lúxuria, traição, sujeira, animalismo. Estamos entrando por um caminho sem volta. Estou me sentindo confuso. Sinto repulsa por ela, mas ao mesmo tempo quero possuí-la, fazê-la gozar seguidamente, muitas vezes. Quero bater nela, até deixá-la desacordada. Aproximo-me. Sinto o medo nos seus olhos. Mas, de repente, um brilho diferente, ela prevê o que vai acontecer e seu corpo se encoraja. Ela agora me desafia, me encara, ela me deseja, deseja o que vou fazer. Está disposta a encarar com alegria e prazer o seu destino, tirar proveito de cada minuto, de cada movimento, sair daqui redimida, liberta, sem dever nada a ninguém. Arranco suas roupas, arrebento seu sutiã e o elástico deixa a pele das suas costas marcada. Ela tem o corpo esguio, o rosto delicado e fino, um pouco masculino. É bonita, inclusive em suas imperfeições. A boca pequena, de lábios muito finos, percorre meu corpo, com pequenos beijos arrepiantes. Deixo que ela se detenha onde quer se deter, não há porque apressar nada. Não há nada de fúria em nosso derradeiro ato. Estamos apenas cumprindo a etapa que falta, livrando nossa consciência de futuras culpas sobre coisas mal-resolvidas ou inacabadas. Quando ela retorna à minha boca, depois de ter me propiciado um prazer nunca antes sentido, agarro-a pelas ancas e entro nela. Nossos movimentos são um balé bem ensaiado, uma coisa que tenho vontade de filmar e deixar como presente para as próximas gerações. Não sei quanto tempo se passa, nossos corpos suados e seus cabelos finos colados no meu peito, pescoço e rosto, até que gozo dentro dela. Ela inicia um movimento para se virar de lado, mas eu a agarro pelo pescoço. Trocamos um olhar cheio de lembranças, pedidos de desculpas recíprocos, liberações e perdão. Aperto meus dedos sobre a pele fina e macia do pescoço e colo meus lábios em sua testa quando ela começa a se debater. Quando ela enfim se acalma e repousa, depois daqueles eternos quatro minutos, eu a deito com a barriga pra cima, lambo pela última vez cada centímetro do seu corpo, primeiro da testa até a ponta do dedinho do pé, depois a viro de bruços e lambo da nuca até a ponta do calcanhar. Deixo-a de bruços. Cubro seu corpo com o lençol. Visto-me, penteio os cabelos, permito-me derramar uma última lágrima ante a visão da mulher que tanto amei. Saio. O amor é uma coisa má, penso no elevador, e a verdade é nociva ao amor. A ignorância da verdade. Nunca mais vou mexer nessas feridas de novo. Besteira. Sei que vou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Invenção 4.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acordo no meio de uma noite fria. Sou um homem solteiro, apaixonado, cheio de medos e frustrações dentro de mim. Amo uma mulher que não me ama. Amo uma mulher que não pode me amar. Não me conformo com isso. Sinto como se toda a minha vida tivesse sido uma preparação para estes momentos que estou vivendo. Sinto no ar uma promessa e tenho medo de que todas as coisas sejam vãs. Desejo-a como se deseja a rendição quando não há mais forças para lutar. Me entreguei a ela, estou em suas mãos e agora é tarde. Ela é meu pensamento, minha vontade, o poder da minha decisão o alimento de minhas paixões, de minha energia, da minha vontade de viver. Mesmo que quiséssemos, seria impossível cortar esses laços.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Re-invenção.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O amor. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-1999870883138195288?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/05/memorias-sentimentais-imaginarias.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>6</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-574094467758757036</guid><pubDate>Fri, 08 May 2009 19:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-05-08T16:30:51.537-03:00</atom:updated><title>O sonho dentro do sonho</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Não sei dizer quando foi que eu me apaixonei pela primeira vez. Acho que essas paixõezinhas de criança não contam. Também não sei dizer quando foi que eu comecei a ficar destrambelhado por causa de mulher. Eu já li histórias de amores terríveis, em que os homens se degeneram, se afundam, se matam, se viciam e enlouquecem por causa de mulher. Eu sempre fui um cara racional e acho um absurdo uma coisa assim acontecer. Não consigo entender como o homem, a mais sublime das criaturas, privilegiado pela natureza, dotado de extraordinária inteligência e livre-arbítrio, pode ser tão fraco a ponto de ser destroçado por seus próprios sentimentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato de questionar essa realidade nunca impediu, no entanto, que eu pulasse de cabeça nos meus sentimentos. Eu nunca tive muita medida das coisas. Não esperava acontecer o mais ínfimo indício de correspondência afetiva para me perder de amores por uma moça que julgasse interessante. Nessas, eu entrei bem. Já ouvi aquele famoso "eu gosto de você, como amigo". Já ouvi coisas mais dolorosas, como "se pudesse escolher por quem me apaixonar, seria por você". Já ouvi muita coisa que me apertou o coração, me desesperou, me fez pensar que nunca, nunca mesmo, eu seria amado por alguém. Tais insucessos criaram em mim um trauma, um sentimento derrotista que eu não me orgulho em assumir, mas que é a pura verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por esses dias, novamente, eu tive um aperto desses no peito. A diferença é que, desta vez, o buraco é bem mais embaixo. Estou apaixonado, mas não só isso. Estou envolvido por uma pessoa em todas as esferas do meu ser, um sentimento múltiplo, agressivo, por vezes opressor. O sofrimento por amor não é uma coisa inédita na minha vida, como estou aqui relatando. Mas o que estou sentindo desde meados de 2007 - e que só faz aumentar, a cada dia - é sem dúvida a coisa mais aterradora por que já passei. Não tenho a quem recorrer, senão aos amigos - e a essa própria pessoa que, por sinal, é minha amiga. Não tenho como recorrer aos vícios, pois que não os tenho, nem quero contraí-los. Não tenho como fazer uma viagem prolongada, um reexame das minhas contas. Nada. Estou só na estrada, lutando comigo mesmo. Dizendo NÃO ao SIM que sai do meu peito. Hormônios à mil, transtornado, com raiva de ser impúdico quando a minha natureza está gritando, exigindo pronta satisfação aos seus desejos, criando mil desvarios na minha mente, inventando histórias pecaminosas, deliciosas, más. Uma luta árdua, ainda mais pra mim que não sou forte. Querendo manter minha dignidade, meu orgulho, meu respeito, quando o animal que está dentro de mim quer sair, possuir, destroçar, dominar. O cavalheiro que sou, que só tem amor a oferecer, rosas, carinhos, este está tendo uma queda de braço com o homem que eu sou, o famélico homem que eu sou, contidos desejos há muito tempo, fome imensa a saciar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu quero saciar minha fome. Matar e morrer de amor, como se a vida fosse se extinguir em alguns minutos, como se o sonho fosse acabar a qualquer momento, no raiar de um dia cinzento que vai me tirar da cama e me jogar na rua, com nada nas mãos e tudo começando do zero. Eu luto, luto para manter vivo o sonho dentro do sonho, a esperança de olhar pra cima e furar o bloqueio da fumaça, enxergar o horizonte da minha felicidade, alcançar a visão plena do que está aqui para por mim ser fruído, que a ilusão que tomou corpo bloqueia. A ilusão tomou corpo e o corpo é minha ilusão, o corpo é a imagem que se cravou fundo dentro de mim, que me inquieta a alma, me sacode, me causa os tremores e tira o sabor das coisas que eu antes degustava com verdadeira alegria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estou pronto. Para esquecer. Para me cortar. Para amar. Para fugir. Para me expor. Para ser feliz. Para morrer. Para me redimir. Para tudo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-574094467758757036?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/05/o-sonho-dentro-do-sonho.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-785833833307837957</guid><pubDate>Tue, 28 Apr 2009 01:54:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-28T00:10:12.889-03:00</atom:updated><title>Top 5 "Terrores da Infância"</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Retomando os famosos "Top 5" que promovia antigamente neste blog (&lt;a href="http://sonhosecliches.blogspot.com/2006/09/top-5-sonhos-com-celebridades.html"&gt;http://sonhosecliches.blogspot.com/2006/09/top-5-sonhos-com-celebridades.html&lt;/a&gt;), chego a vocês hoje para, humildemente, compartilhar os fatos que moldaram o meu caráter e me atrelaram a uma vida de medo, angústia e trauma. Com vocês, o Top 5 "Terrores da minha infância":&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cc33cc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;5. O Dia Em Que Parei o Hino Nacional Brasileiro&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estudava no colégio do Sesi e tínhamos por praxe (como em todos os estabelecimentos ligados ao Instituto Roberto Simonsen) cantar o Hino Nacional às sextas à tarde, diante do hasteamento da amada flâmula verde-loura. Certa feita, fui levado ao pátio da escola com alguns minutos de atraso, por minha mãe - ela trabalhava no ambulatório médico do Sesi, no prédio ao lado. Quando demos conta, as crianças já estavam alinhadas em fila para o início da execução do hino. Minha mãe aconselhou-me a, discretamente, entrar na fila e me juntar aos colegas, talvez com medo de que a barata tonta aqui não conseguisse alcançar a turma depois. Fui então entrando no meio da criançada. Coisas estranhas acontecem, não é mesmo? Pois vejam vocês, eu que nunca fui popular, nem mesmo quando criança, nesse dia fui interpelado pelos meus colegas, como se, a partir daquele momento, todos sentissem necessidade de me saudar, interagir comigo, brindar de forma efusiva a minha existência. Isso gerou um burburinho que foi crescendo, crescendo... Quando dei-me conta das dimensões que aquilo poderia tomar, aconteceu, de súbito: alguém fez um sinal para a mesa de som e o verso "ao som do mar, e a luz..." parou no meio. A diretora, microfone em punho, achou que era muito cívico ensinar a todos uma lição, usando como bode expiatório aquele débil menino magricelo, de óculos, encabulado: "Meu jovem, venha aqui para a frente. Agora, saia. Espere fora da fila. Você está atrasado? Você não respeita o Hino Nacional?". O colégio tinha ensino fundamental e médio, uma boa centena de alunos que ali se reunia para cantar o hino. Eu era um menino de 7, 8 anos de idade. Sabe Deus como eu não me tornei, depois daquilo, um anarquista incurável.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;4. Chamada Oral&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Raul de Leoni, 5ª Série. A professora de matemática tinha um humor oscilante. E quando estava naqueles dias, era temível. Acontecia de ela chegar, uma vez por semana, e dizer: Chamada Oral. Pegava a lista de chamada, eu era o número 31 (treze, ao contrário).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em pensamento: "Por favor, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não, 31 não..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Vejamos aqui: Número 31, para a lousa!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em pensamento: "Ugh!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Caminhava para a lousa como quem ia para o pelotão de fuzilamento. E não estávamos muito longe disso, a fuzilaria de olhares sobre mim, que todo mundo achava que era CDF, inclusive a professora. Resolvia com esmero o problema ali colocado, suores frios descendo pela minha testa. Professora Sônia, aquela estimável senhora - posteriormente promovida a coordenadora do laboratório de informática (meu 13 de maio particular o dia da promoção dela) - analisava minha resposta, um sorriso irônico no canto da boca, para sentenciar: "Esse menino, com essa cara de inteligente... Que decepção! Não se salva ninguém".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Professora Sônia, esteja onde estiver, saiba de uma coisa: a matemática não salvará nem a mim, nem a senhora. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;3. Aula de Educação Física&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu rezei muito para chover, quando era moleque. A quadra da escola era aberta e, quando chovia, não havia educação física. Quando havia, tudo era para mim um grande rosário variado e inventivo de humilhações. Um dia, era o vôlei, e eu chorando como uma garotinha porque não conseguia sacar a bola por cima da rede. No outro, o futebol, onde eu nunca era escolhido. Basquete, handebol, porra, uma grande merda. Mas o auge do patético foi no dia em que aquela simpática professora de Educação Física, aquela exemplar pedagoga, resolveu ensinar-nos revezamento olímpico, a famosa corrida do bastão. Levou-nos ao Horto Florestal, dividiu-nos em equipes. Colocou-me junto de 3 atletas que, minutos depois, passaram a me odiar. Posicionou-nos nas marcas que riscara no chão e, para mim, disse: "Você fica ali". Caminhei para onde acreditei que ela apontara e ouvi, ríspido: "Aí não! Aqui, seu orelhudo!" Fui chorar escondido, num canto, mas quando você quer chorar escondido sempre tem uma boca aberta piedosa-fingida para dizer "Olha fessora, ele tá chorando", e a nossa querida mestra olhou-me com cara de "puta que pariu, que eu faço agora?" e não fez nada, tocou a aula como se nada tivesse acontecido e eu chorei um pouco sentado no banco de madeira, com as lágrimas pingando no chão arenoso e deixando marcas, como se fossem desenhos. Era tão inocente que só fui descobrir, muito tempo depois, que ela me chamara de burro figurativamente, e não que eu tinha orelhas grandes, como entendi no momento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;2. Você Tem Poucos Dias De Vida&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Logo que mudei para o condomínio em que moro ainda hoje, fiz amizade com um grupo de garotos asquerosos, que mijavam na escada de incêndio e jogavam potinhos de danoninho em qualquer lugar. Um deles me disse que eu tinha uma doença que ia me matar em poucos dias e riscou minha barriga a caneta, indicando os pontos onde deveria ser feita a incisão cirúrgica. Eu achei que morreria daquela doença desconhecida e não tive coragem de contar nem mesmo aos meus pais, mesmo quando eles interpelaram o porquê de eu estar tão estranho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei o que esses moleques fazem hoje em dia, mas espero que a gonorréia deles esteja muito bem diagnosticada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;1. Professora Carrasca&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#993399;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Terceira Série, Sesi. Primeiro dia de aula, a professora se apresenta, deixando claro que a época da inocência acabou:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Uma aluninha desavisada): "Tia..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Tia não! Tia não! Não sou irmã da tua mãe nem do teu pai. É professora!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E a professora, cujo nome me esforço em recordar mas não consigo - mas que chamarei de Professora Carrasca - fez do ano de 1993 um ano terrível para mim. Enquanto o país atravessava o final da recessão do finado Governo Collor, eu relutava em ir para a escola, enfrentar aquele amor de pessoa. Eu vinha de um sistema lindo, de fábula, em que a professora do segundo ano era uma velhinha simpática, alegre, enfeitada, sacudida, que dava nota boa pra todo mundo. Não estava preparado para encarar aquela realidade cruel. Um belo dia, cheguei para a aula e vi todo mundo com um saquinho na mão com cartolina recortada, que usaríamos para mexer com frações, ou algo do tipo. Os colegas das carteiras de trás e dos lados, ao ver que eu não tinha feito os meus recortes - porque não tinha entendido bulhufas do que era pra ser feito e tinha vergonha de perguntar - apressaram-se a recortar para mim, numa atitude totalmente solidária e bonita. Mas vã. A mulher entrou na sala e flagrou a pequena cooperativa trabalhando. Lembro-me, ainda hoje, dela dizendo que não tinha, naquele momento, nenhuma dó das minhas lágrimas, que eu que deixasse de ser vagabundo. Pegou pelos ombros um outro aluno - que posso apostar que hoje em dia deve ter seios de silicone industrial e morar no Edifício Danúbio, na Bela Vista - e o gabou durante longo tempo, como aluno exemplar e como contramedida desse displicente Rafael da Cunha - eu era assim chamado nos primeiros anos escolares. Minha mãe deve ter ido ter com ela, depois dessa exposição desnecessária, desse sermão longo dado para toda a turma e que marcou a mim durante todos esses anos. Porque depois ela maneirou um pouco. É verdade que ficou doente e afastou-se por mais de um mês, período em que eu passei a acreditar na existência de Deus, antes de voltar mais light para terminar o ano letivo. Eu saí da terceira série, mas essa terceira série, de algum modo, nunca saiu de mim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por isso eu acredito que, se uma pessoa nasce com vocação para ser vendedora em loja de lingerie, não deve cursar o magistério. Afinal de contas, quantos pusilânimes ainda vamos ter por pura e simples falta de sensibilidade daqueles que tem como responsabilidade guiar nossos primeiros passos? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para esta querida e malcomida professora, se hoje a encontrasse, diria algumas coisas, que meus 9 anos de idade não me permitiram dizer naquele dia. Coisas que ela não deve se lembrar, mas que eu nunca consegui esquecer. Mas, deixa pra lá. &lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E por hoje é só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://sonhosecliches.blogspot.com/2006/09/top-5-sonhos-com-celebridades.html"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-785833833307837957?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/04/top-5-terrores-da-infancia.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-6614173974077581991</guid><pubDate>Sat, 18 Apr 2009 20:15:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-18T17:48:42.282-03:00</atom:updated><title>Sobre o cara que te espera</title><description>&lt;div align="justify"&gt;E então, num dia desses, você vai conhecer esse cara. Não dá pra dizer bem o que a passagem dele pela tua vida representará. Como diz a fé pública, "nada acontece por acaso". E ele aparece, esse menino tímido, bobo, sem assunto com estranhos. Esse menino normal, que se acha o patinho feio, mas não é feio. Nem mesmo é bonito. É normal. É passível de fazer com que você se apaixone por ele, mas você precisa ser sensível pra ver que vale a pena. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque, convenhamos: ele não é lindo de morrer, não é forte, não é rico, não se veste assim tão bem (ainda que tenha melhorado bastante nesse quesito), não tem uma boa cantada, nem aquele olhar 43. É possível que ele fale com você olhando pra outra direção, pro copo de cerveja, pros carros passando na rua. Ele não é seguro como certos caras, embora seja mais inteligente que a maioria deles. Não que seja um prodígio mental, mas tem uma cabeça boa, senso crítico razoável, não passou a vida toda pensando em tunar carro, malhar o corpo, pegar mulher na balada, fumar maconha pelos cantos, comprar roupa em loja de grife. Ele leu um ou outro livro, viu um ou outro filme, ficou se achando "intelectual" e depois ficou puto quando viu que não era. "Quanto mais aprendo, mais ciência tenho da minha ignorância". Ele não sabe a citação literal nem qual dos gregos disse isso, mas pouco importa. Ele tá cagando pros gregos, porque não anda em círculos pseudo-intelectuais e não precisa impressionar ninguém. Esse cara gosta de simplicidade, da inteligência sem forçação de barra que algumas pessoas tem. Não gosta de competição: quem tem a melhor roupa, o maior QI, o maior pinto, mais dinheiro na conta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um dia - há de chegar logo - você vai cruzar com esse cara em alguma esquina. É improvável que seja numa fila de banco, num ônibus, no meio da multidão. O que vai acontecer é uma situação especial, única, que vai te botar frente a frente com esse cara. De repente, ele pode nem sentir atração por você, e muito menos você por ele. Mas você pode achar fofo o jeito dele falar, o senso de humor boboca que poucas mulheres entendem, as coisas incovenientes que ele diz sem querer e as muito convenientes que ele diz sem saber que é sábio em muitas ocasiões. Todo mundo que o conhece acha que ele é um bom conselheiro. Talvez nem tão bom conselheiro, mas sem sombra de dúvida um bom ouvinte. Ele já disse coisas ásperas e venenosas pras pessoas e quando fez isso, a frase ficou marcada na memória, porque é raro ele ferir alguém. Ele é, na maior parte do tempo, doce, gentil, atencioso. Quando está de saco cheio, é chato, fatalista, nitroglicerínico. Mas aí é mais fácil ele se auto-depreciar do que agredir alguém.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Você deve, minha cara, tomar cuidado quando ficar amiga desse rapaz. Algumas coisas você precisa saber de antemão. Precisa saber que ele gosta de se fazer de vítima. Que é dramático e exagera as situações. Que quando se apaixona, mergulha de cabeça, sem conhecer limites, pudores, precauções. Mas, ao mesmo tempo, tem uns traumas no coração, de gente que não soube gostar dele como ele merecia, que podia ter dado uma flor, mas lhe deu um soco, que não teve sensiblidade e bondade pra dizer "eu te amo" quando ele mais precisava ouvir. Sei que com você será diferente. É preciso que você saiba que esse menino quer abraçar o mundo, quer ser feliz, quer irradiar alegria e ser sempre uma presença marcante na vida das pessoas. Esse menino toda vida foi coadjuvante, às vezes figurante, e agora quer ser protagonista de uma vida linda, ensolarada. Tem tantos sonhos que, de tão simples e bobos, lhe parecem impossíveis. Tem vergonha de dizer o que sente, mas o faz sempre de forma corajosa, de peito aberto, sem esconder o medo, a euforia, a saudade, a fraqueza. Já disseram que esse rapaz é falso, mas quem disse não o conhecia bem e lhe magoou profundamente. Esse moço é o mais sincero que existe no planeta, e mesmo quando mente, é pra ser fiel ao que acredita.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Linda, um dia você vai conhecer esse homem, que gosta de música, de manhãs nubladas, de bons papos, de rir por besteiras, de se dedicar às pessoas que ama. E vai ter que ter paciência com ele, mas por outro lado vai se encantar, vai se sentir amada, cuidada, como nunca foi.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse dia está chegando. E enquanto isso, eu vou sonhando com ele.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-6614173974077581991?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/04/sobre-o-cara-que-te-espera.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-4202655032135059009</guid><pubDate>Wed, 15 Apr 2009 01:34:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-04-14T23:02:37.831-03:00</atom:updated><title>Eu não sei</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei dançar. Não sei dirigir. Não sei cozinhar. Não sei jogar bola. Não sei jogar vôlei, nem basquete, nem golfe, nem rugby, nem tênis, nem peteca. Não sei empinar pipa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei falar inglês. Não sei falar francês. Italiano. Espanhol. Alemão. Japonês, javanês, dialeto, mandarim, húngaro, não sei latim nem grego.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei assoviar no ritmo, não sei estalar os dedos, não sei falar nenhum dos trava-línguas. Não sei ver as horas em relógio de ponteiro, não sei de cor a tabuada do nove, não sei qual é a capital da Nova Zelândia, nem sei direito onde fica a Nova Zelândia. Não sei dizer se uma palavra é paroxítona, não sei ler partitura, não sei onde fica a bridge na letra da canção. Eu não sei tocar violão. Não sei tocar piano, não sei tocar flauta, nem bongô, nem cuíca, nem tamborim, nem pandeiro, nem chocalho, nem frigideira, nem instrumento nenhum do mundo, instrumento daqui, de Marte ou da estrela Órion, não sei tocar porra nenhuma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei quem foi Molière, nem Voltaire, nem Joyce, nem João Antônio. Eu não sei quem foi São Tomás de Aquino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei cavalgar. Não sei nome de raça de cachorro, muito menos de gato. Não sei quantas patas tem um escorpião, não sei se a gente diz pata ou perna pra inseto, não sei de que se alimenta uma anta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei pescar, não sei jogar truco, não sei mentir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei contar piada direito, não sei memorizar citação de autor famoso, não sei com quantos paus se faz uma canoa. Não sei com quantas canoas se faz uma nau, não sei porque o barco do Colombo se chamava Santa Maria. Não sei porque a loja de ternos se chama Colombo, mas isso nem quero saber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei costurar, não sei rezar, não sei atirar com espingarda, nem com carabina, nem com revólver, nem com pistola, nem com estilingue, nem com arco-e-flecha, nem com arma de chumbinho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei como se faz pra tirar passaporte, pra abrir firma de empresa, pra conseguir visto de trabalho no estrangeiro, licença pra abrir loja no centro, carta de crédito, antecedentes criminais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei nada de hardware, software ou surfwear. Não sei andar de skate, não sei enrolar baseado, não sei fazer serviços de carpintaria. Eu não sei trocar disjuntor, consertar liquidificador, cano furado, válvula de descarga bichada, arruela emperrada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei seduzir, conquistar, convencer, xavecar, pechinchar, negociar, persuadir, embromar, enrolar, ganhar tempo, cozinhar em banho-maria, deixar de molho, passar a perna, até logo, pt saudações, como diria meu pai.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei fazer balancete, planilha, contas a pagar e a receber, tratar com fornecedor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei pedir dinheiro na rua, roubar dinheiro na rua, roubar dinheiro no banco, no supermercado, no banco imobiliário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei se a mulher tá bem vestida, bem maquiada, se calça preta combina com blusa verde e sapato verde, se ela engordou, emagreceu, se o mundo é mau ou bom.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei ser garanhão na cama, nem recitar poema do Drummond depois, nem música do Djavan. Não sei o que diabos o Djavan quer dizer, afinal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não sei (mais) andar de bicicleta, criar estorinhas, caçar tatu-bolinha, fazer dobradura com papel sulfite.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei amar. Não sei odiar também, mas isso nem importa. Eu não sei amar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sei escrever, apenas. Malemale.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-4202655032135059009?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/04/eu-nao-sei.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-7189291773353163099</guid><pubDate>Sun, 29 Mar 2009 03:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-29T00:28:35.809-03:00</atom:updated><title>Será?</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes eu tenho a impressão de que estou sendo testado. Testado talvez por essa força onipresente da natureza que se convencionou chamar de Deus, de destino, de acaso, sei lá. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As palavras tem assim tanta força? Os desejos, conquanto sejam profundos no meu coração, pesam alguma coisa no desencadear dos fatos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estou cansado. Cansado de hora estar feliz, hora estar triste. Sim, a vida é assim, mas meu coração vai queimar de tanto ser ligado e desligado sem controle.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estar amando. É foda. Muito já se falou sobre isso. Estou com medo. Medo da vida, medo de sofrer, medo de ser feliz e não saber que estou sendo feliz, medo de ser feliz e ter minha felicidade sempre ameaçada. Medo de não ser feliz. Medo de ser infeliz. Medo de não saber o que é o que. Me tornei - ou talvez tenha sempre sido assim - um cagão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não choro porque estou agastado. Rio nervoso, tenho vontade de sumir, de sair sem deixar rasto, de ir para algum lugar no exterior e começar do zero. Mas aí tenho medo de sair do zero ao cem em 10 segundos e ter novamente meu coração assim, aos pulos, batendo vão por algo impossível, deixando-me só na chuva, ouvindo as vozes dizendo que tudo vai ficar bem, que eu sou um cara legal e que vou me encontrar, mas não tendo no peito essa certeza, e tendo vergonha de dizer o que sinto, de frustrar as pessoas com o meu derrotismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu estou cansado de sempre pular de cabeça. E parece que sempre há, no fundo do rio, uma pedra, um recife, um chão duro, e só vejo sangue e dor, quando esperava ver a liberdade, o frescor das águas cristalinas, profundas, rápidas e envolventes, onde eu queria afogar as minhas tristezas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E assim vou indo, achando que posso sobreviver, mas morrendo a cada momento, não sabendo mais até onde as coisas são bonitas ou se isso tudo é muito feio, mesquinho, medonho, perverso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou, no fundo, tão filho da puta quanto a quase totalidade dos seres humanos. Não cometi o pecado que me persegue apenas porque não se apresentou a oportunidade. Deus está me testando. E eu, que sempre achei ridículo ser "temente" a Deus, estou me cagando de pavor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-7189291773353163099?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/03/sera.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-6379350324499919678</guid><pubDate>Fri, 06 Mar 2009 02:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-03-05T23:55:08.400-03:00</atom:updated><title>(Des) Espero</title><description>&lt;div align="justify"&gt;A minha vida é linda, florida. Eu como Mucylon todo dia, pra crescer forte e bonito. Não nutro paixões tolas e não sou dado a frivolidades. Comigo é no verbo. Todo dia boto um sorriso na cara e, faça chuva ou faça sol, vou pra rua fazer o meu melhor, com confiança no trabalho e num futuro melhor. Não questiono, nada espero, deixo tudo ao acaso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Eu sou bem feliz.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Uma pinóia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-6379350324499919678?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/03/des-espero.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-534281770065220033</guid><pubDate>Fri, 27 Feb 2009 19:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-27T16:37:30.110-03:00</atom:updated><title>Paralelo</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Eu estou torcendo muito ultimamente pra que, em algum lugar além da nossa compreensão, exista um mundo paralelo. Um mundo no qual o impossível se torna real. O mundo de realizações das coisas que, aqui, ficaram empacadas. Imaginem como seria bom, para pessoas recalcadas como eu, saber que não tem importância as frustrações, pois que no mundo paralelo ninguém é de ninguém e a noite é uma criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu lá posso dizer tudo o que aqui reprimo. Posso sentir tudo que aqui reprimo. Muito pouco tenho a me envergonhar, do lado de lá. Posso, em contrapartida, ouvir palavras e ver coisas que me fariam enfim repousar em brancas nuvens. Esse mundo paralelo, se não existe, deveria existir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas aí, pensando melhor, eu vejo que essas coisas não passam de bobagens que só um autista diria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-534281770065220033?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/02/paralelo.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>3</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-1153119042942372404</guid><pubDate>Fri, 13 Feb 2009 16:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-02-13T15:28:29.452-02:00</atom:updated><title>Feliz?</title><description>&lt;div align="justify"&gt;"Vamo lá, tá gravando..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Bom gente, eu nem sei bem por onde começar. Outro dia estava me perguntando se eu, em algum momento da vida, fui realmente feliz. Quando era criança, era feliz? Fui feliz depois, na adolescência, na época do Senai, na época do cursinho? Fui feliz na faculdade? E finalmente: sou hoje um homem de quase 25 anos feliz?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; A felicidade, afinal de contas, está em mim ou está nos outros? Está no meu irmão, na minha mãe, no meu amigo, na mulher que eu amo? Até que ponto a minha alegria só depende de mim?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Há pessoas que não se abalam com nada. Nem com uma enchente, com um câncer, com uma drástica queda na qualidade de vida. Mas eu... qualquer coisinha me tira do sério. Perdi a esportiva faz tempo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Veja bem, não quero fazer disso um desabafo psicanalítico. Eu queria apenas tentar me expressar, fazer você entender o que se passa na minha cabeça. Coisas estranhas tem acontecido comigo nas últimas semanas. Cada dia uma coisa nova pra me fazer refletir. Será que já não passou da hora de eu largar pra trás esse menino ingênuo, que insiste em pensar com a minha cabeça? Eu tomei pedrada com a mesma pedra, e não aprendi a desviar. É como passar embaixo da árvore onde estão dando pauladas num vespeiro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Não estou sendo suficientemente claro, essas malditas metáforas não estão ajudando. Vamos recomeçar então. Eu sou um sujeito apaixonado, bobo, inconstante e bem-intencionado além da conta. (Não preciso nem mencionar aquele ditado surrado sobre as boas intenções, vamos manter esse papo em alto nível). Por causa disso, eu não sou feliz como as outras pessoas. Ok, isso é um conceito relativo e ninguém é 100% feliz, e aliás, deve-se desconfiar sempre de quem alardeia a própria euforia por aí. Mas, sem dúvida nenhuma, eu tô me estranhando muito, achando que nasci com uma apatia patológica dentro de mim ante coisas que eu poderia tentar corrigir. É mais ou menos o seguinte: eu vejo o errado, não me conformo com o errado, mas quando vou mudar o errado, tenho uma preguiça, ou covardia, ou sei lá o quê, que me desanima e daí eu digo "ah, deixa pra lá", e fico remoendo aquilo e pensando que eu sou um bunda mole e que isso é uma vergonha pra um cara da minha idade, mais ou menos inteligente e que teve acesso à cultura e a todas as informações que uma pessoa precisa ter pra saber pleitear as coisas que são imprescindíveis ao exercício pleno da sua dignidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; E esse meu lado inconformado sempre foi oprimido pelo meu lado pacato (ou cuzão mesmo, como você preferir). Foram raros os momentos de extravaso. Mesmo puto, não mandava ninguém tomar no cu. Aconteceu uma vez de me sacanearem no colégio e eu foder o filho da puta, enfiando a ponta de um esquadro na bochecha dele. Mas eu era criança, não tinha desenvolvido ainda esse meu lado politicamente correto, patético, bunda-mole, que agora há pouco eu defini como "pacato".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Mas um dia a gente estoura, né? Eu quero saber que dia eu vou estourar, que dia eu vou pegar alguém de porrada na rua, quebrar alguma coisa, sem pensar em consequência. Causa e consequência. Que dia?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Todo mundo acha que eu sou educadinho, bonzinho, incapaz de fazer mal a uma mosca. Só uma pessoa, ao longo de toda a minha vida, me disse que tinha medo de mim, que tinha medo do que eu poderia fazer no dia em que eu explodisse. Talvez tenha ela uma certa razão, porque nem eu mesmo sei se vai dar alguma bosta no dia que eu botar o pinto na mesa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Ou talvez não, talvez eu sempre reprima meus impulsos irados tendo em vista um bom convívio social, não importando o quão boçal esteja o nível dessa sociedade. Não que eu seja um sujeito iluminado. Eu tenho meus momentos mesquinhos, como todo mundo. Mas o nível tá tão baixo, que eu ando sobrando. Mas voltando, talvez eu consiga ser assim a minha vida toda, e vire um daqueles velhos que são sacaneados pelos filhos, termine os dias num asilo com um ar alegre, irônico. E talvez até chegue a achar, algum dia, que não há nada de errado, que Jesus tava certo, que tem mais é que dar a outra face mesmo. E que é bonito a gente ser otário, que malandragem de verdade é viver.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Talvez eu entenda que perdi preciosos minutos da minha vida pensando bobagem. E que de pensar demais morreu um burro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Puta merda, quanta bosta junta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Desliga isso, vai.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-1153119042942372404?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/02/feliz.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-2388425319270658845</guid><pubDate>Sun, 18 Jan 2009 15:48:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-18T14:11:01.688-02:00</atom:updated><title>Buscando explicações para a minha escatologia</title><description>&lt;div align="justify"&gt;"Há pessoas que por comodismo, prudência, religião, avareza evitam ficar à mercê das paixões amorosas. Essas pessoas ou se entregam compensatoriamente às obsessões aquisitivas - dinheiro (não só os avarentos), propriedades, bens, honrarias, erudição, saber ('é da natureza do ser humano desejar o saber', Aristóteles) - ou criam um rígido sistema de proteção moralista e deontológica; o dever principal é evitar a qualquer custo a influência nefasta do amor carnal - o desejo escraviza, a ascese liberta. (...) O supremo prazer físico dessas pessoas é defecar. Defecar é aliviante, é prazeroso, é saudável, é seguro, é barato, é inocente, é natural, é higiênico, ainda mais se você depois se lavar com sabão no bidê. E também pode ser educativo e intelectualmente excitante - são incontáveis aqueles que adoram ler e meditar quando estão desonerando os intestinos no recesso secreto e apaziguante do seu banheiro. Lutero concebeu as mais importantes das suas 95 &lt;em&gt;Teses&lt;/em&gt; revolucionárias, que fizeram dele a maior figura da Reforma Protestante, sentado num vaso sanitário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...) &lt;em&gt;Tudo&lt;/em&gt; na natureza da defecação - depuração, purificação, eliminação dos resíduos inúteis - é favorável a uma satisfação completa. Isso pode ser uma verdade absoluta para muitos, para todo mundo, mas não é para mim, talvez porque em nenhum momento da minha existência sofri de prisão de ventre". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;em&gt;Rubem Fonseca, in "E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto". &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-2388425319270658845?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/01/buscando-explicaes-para-minha.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-7583368458738903485</guid><pubDate>Thu, 15 Jan 2009 00:40:00 +0000</pubDate><atom:updated>2009-01-14T22:51:49.999-02:00</atom:updated><title>Pesadelo do mês</title><description>&lt;div align="justify"&gt;Era tipo uma quadrilha de gânsters. Gângsters assassinos de crianças. Sei lá porque cargas d'água eu, que sou adulto, entrei na alça de mira deles. Talvez eu fosse uma testemunha que devesse ser rapidamente eliminada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Pulei uma mureta e me escondi apavorado atrás de uma planta que havia no jardim da casa. Rezava para não ser visto, mas percebi apavorado que a mulher que integrava o grupo conseguiu me visualizar. Ficou um bom tempo olhando para mim, esperando que eu fizesse alguma coisa. Mas eu fiquei paralisado de medo e vi em câmera lenta os disparos que ela desferiu contra mim. Os outros atiraram também, acompanhando-a. Eu fui metralhado. Morri.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Mas nenhum mafioso russo matador de nenéns vai me foder assim. Acordei vivo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-7583368458738903485?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2009/01/pesadelo-do-ms.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-7426407562797732030</guid><pubDate>Wed, 31 Dec 2008 01:49:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-31T00:53:50.790-02:00</atom:updated><title>Pato bola bola oito</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;2008. Por onde começar?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Que tal pela madrugada do dia 2 de julho, quando passei a noite todinha me revirando numa cama de hotel em Bauru, com os nervos em frangalhos, tendo uma prova cabal da pouca confiança que eu boto no meu taco? Explico: na manhã desse dia eu compareceria à Unesp para defender minha tese de graduação na faculdade de Jornalismo. Estava com o cu que não passava nem um alfinete, com medo de dar tudo errado. Tudo porque achava que meu trabalho estava ruim, feito nas coxas, que eu não estava com a defesa bem preparada, nem a Aline. Não consegui dormir e só me tranqüilizei lá pelas 6 da manhã, quando resolvi ficar acordado até a hora de me arrumar, vendo uma matéria no noticiário local sobre um matuto que pescou uma carpa (nem lembro se era esse peixe mesmo, e nem entendo de peixe) de 6 quilos. Ele não quis vender o peixe, alegando que ia comê-lo com os amigos. Uma notícia tão prosaica, tão pitorescamente matuta, de repente me deu forças pra ir tomar café de cara alegre e terminar o dia feliz, tendo tirado 10 na porcaria do TCC e enfim tirando aquele peso de 3 anos das minhas costas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Zero Oito foi um ano meio esquisito, como eu já disse aqui antes. Muitas coisas que estavam de rosca enfim se desenrolaram. Me formei oficialmente, pessoas brigadas se reconciliaram, morreram algumas que já estavam na boca da caçapa pra subir no telhado, uma grande (nem tão grande assim) banda de rock anunciou o lançamento de um disco aguardado há uns dez anos, cartolas que há tempos mandavam e desmandavam em clubes grande do Brasil enfim rodaram, etc. Como sempre, aconteceram algumas desgraças, aquele lance das enchentes em SC. Teve a crise mundial que afetou todo mundo que tem dinheiro no planeta, o que obviamente não me inclui. (Aliás, quero passar a virada de 09 pra 2010 com bastante grana no bolso e vou colocar isso como a principal meta pro ano, se é que posso me permitir estabelecer metas - geralmente não consigo cumprir nenhuma). Enfim, do ano que se passou, falando de um ponto de vista pessoal, eu tiro um saldo positivo e uma grande satisfação não por conquistas minhas, mas por conquistas dos meus amigos. A maior parte dos meus amigos, tenho certeza, termina o ano feliz. Estão felizes, bem empregados ou em vias de arrumarem bons empregos. Mesmo quando o emprego não paga bem, estão fazendo o que gostam. Outros estão felizes na vida íntima, casados, com sonhos, planos e projetos. Há os que estão distantes, ou que se distanciaram. Sinto falta deles, não sei o que estão fazendo, o que estão empreendendo, mas sei que estão bem. Gostaria de um dia estar junto deles novamente. Sei que talvez não seja possível, por motivos geográficos ou mesmo pela geografia dos corações e dos sentimentos. Mas penso neles sempre. E torço. Pra que estejam felizes e pra que torçam com força pra que eu também assim o seja. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;No final deste ano, eu tive duas grandes alegrias. Uma é a realização de um sonho esportivo pessoal: ver o Fenômeno com a camisa 9 do Timão. Quer dizer, ainda não pude ver de fato, em ação, mas a boa nova dá ânimo a esse coração corintiano para o ano que se inicia, depois de tantos sofrimentos e humilhações nos últimos dois anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;A outra, mais marcante, foi o retorno de uma grande amiga. Uma irmã. Que voltou quando eu já perdia as esperanças de tê-la ao meu lado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Em 2008 eu peguei ônibus cheio quase todos os dias. Ouvi Tim Maia quase todos os dias. Comi alguma coisa feita com ovo pelo menos três vezes por semana. Arranquei sorrisos no trabalho pelo menos uma vez por dia. Vi alguma coisa errada na rua toda semana. Me vesti melhor. Mudei o corte de cabelo - que mantinha há uns dois anos. Estive sempre pronto pra ouvir um amigo que precisava desabafar. Fui conselheiro e confidente de várias pessoas. Salvei uma mocinha de se molhar na chuva. Comi pastel de feira, tomei cerveja em boteco e joguei sinuca. Contei piada e ouvi piadas, boas e ruins. Chorei por amor, como nunca antes havia chorado, de soluçar e pingar na roupa. Não fiquei doente nenhuma vez. Exceto por um retorno de hemorróida, que é mal mas não é doença. Aliás, em 2008 caguei com regularidade quase diária, fezes de boa coloração e formato. Não briguei feio com ninguém, não fiz nada socialmente deplorável, não joguei lixo na rua, não furei fila, mas deixei de devolver troco que me deram a mais no correio, numa ocasião. Mas não fiquei com o dinheiro: era dinheiro da revista, de postagem de material e repassei pro financeiro. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Se eu fui feliz em 2008? Fui. Fui sim. Todos os dias andei do Largo do Paissandu ao Bixiga com os ouvidos cheios de música e a cabeça cheia de sonhos. Sonhos simples, como o de todas as pessoas, até as mais extravagantes: uma mulher bonita e compreensiva, uma casa confortável, filhos espertos, cachorro, papagaio, dormir, cagar e comer bem. Pagar minhas contas, viver com dignidade. Não repetir os erros dos meus pais, mas seguir o modelo que eles estabeleceram, pelo menos no que concerne à educação dos filhos. Eu ia pensando nisso tudo e ao mesmo tempo tentando reparar nas pessoas. Nas moças bonitas, nos seus andares malemolentes ao entrarem no Edifício Itália, ou ao cruzarem a Galeria do Rock. Eu ia, atravessando ruas, contornando quarteirões, olhando as manchetes dos jornais nas bancas. Eu fui, e sempre cheguei no meu destino. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:130%;"&gt;Agora é dia 31, último dia do ano. Mais um ano que eu transpus. Que transpus caminhando, e não correndo. Que vivi moderadamente, lamentando coisas que deixei de fazer, embora não tenha me esforçado para fazê-las. Um ano que digo a mim mesmo que foi bom, mas sem aquele &lt;em&gt;plus. &lt;/em&gt;Estou aqui e isso que importa. Obrigado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-7426407562797732030?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2008/12/pato-bola-bola-oito.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>5</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-1838673227849333770</guid><pubDate>Wed, 24 Dec 2008 13:37:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-24T12:10:11.566-02:00</atom:updated><title>Uma estória singela de Páscoa</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Juanes virou o cu do avesso de tanto barro que soltou na porcelana, por conta de ter-se empanturrado de chocolates neste dia tão bacana que é a Páscoa. Só de raiva, limpou a bunda no felpudo Coelhinho da Páscoa, e o pêlo branco e brilhante do animalzinho ficou rajado de um marrom claro, como se fora o coelho um tigre da latrina.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; Essa estória de merda é um oferecimento do Carna Jerusalém, uma empresa especializada em promover carnavais fora de época e de lugar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt; Feliz Páscoa... ops... Feliz Natal a todos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-1838673227849333770?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2008/12/uma-estria-singela-de-pscoa.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>1</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-4708165741100218872</guid><pubDate>Thu, 18 Dec 2008 01:26:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-17T23:26:44.388-02:00</atom:updated><title>My Quiz from QuizYourFriends.com</title><description>&lt;br /&gt;&lt;table width='340' height='340' border='0' cellspacing='0' cellpadding='0'&gt; &lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td style='background-image:url(http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/postit-profile2.gif); background-position:top; background-position:left; background-repeat:no-repeat; height:340px;' valign='top'&gt;  &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;table width='340' height='337' border='0' cellspacing='0' cellpadding='0'&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='31' height='65'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='290'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='19'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt; &lt;br /&gt;    &lt;td&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td valign='top'&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;table width='273' border='0' cellspacing='0' cellpadding='4'&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td colspan='3' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;b&gt;Deco's Life&lt;/b&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td colspan='3' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;1) Qual a data do meu aniversário?&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='6' align='left'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='14' align='left'&gt;&lt;img src='http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/ball_tiny.gif' width='14' height='14' border='0' /&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='217' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;17 de fevereiro&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;   &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='6' align='left'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='14' align='left'&gt;&lt;img src='http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/ball_tiny.gif' width='14' height='14' border='0' /&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='217' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;18 de fevereiro&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='6' align='left'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='14' align='left'&gt;&lt;img src='http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/ball_tiny.gif' width='14' height='14' border='0' /&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='217' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;19 de fevereiro&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='6' align='left'&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='14' align='left'&gt;&lt;img src='http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/ball_tiny.gif' width='14' height='14' border='0' /&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td width='217' align='left'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;20 de fevereiro&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;td colspan='3' align='center'&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='3'&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;&lt;img src='http://www.quizsoupimages.com/quizyourfriends/take-quiz.gif' border='0' /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/font&gt;&lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td&gt; &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt; &lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;table width='340' height='60' bordercolor='#50577d' border='1' cellspacing='0' cellpadding='0'&gt;&lt;tr&gt;&lt;td height='60' align='center'&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;table width='340' border='0' cellspacing='0' cellpadding='4'&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td align='center'&gt;&lt;br /&gt;    &lt;div align='center'&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;Powered By: &lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;strong&gt;&lt;font color='#FF7F13'&gt;QUIZ&lt;/font&gt;&lt;font color='#50577d'&gt;YOUR&lt;/font&gt;&lt;font color='#FF7F13'&gt;FRIENDS&lt;/font&gt;&lt;font color='#50577d'&gt;.com&lt;/font&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;  &lt;tr&gt;&lt;br /&gt;    &lt;td align='center'&gt;&lt;br /&gt;    &lt;div align='center'&gt;    &lt;br /&gt;    &lt;font face='Tahoma, Arial, Helvetica, sans-serif' size='2'&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href='http://www.quizyourfriends.com' target='_blank'&gt;Make A Quiz&lt;/a&gt; - &lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/take-quiz.php?id=0812171954353446&amp;a=2' target='_blank'&gt;Take This Quiz&lt;/a&gt; - &lt;a href='http://www.quizyourfriends.com/quiz-scoreboard.php?id=0812171954353446&amp;' target='_blank'&gt;View  Scoreboard&lt;/a&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/font&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    &lt;/td&gt;&lt;br /&gt;  &lt;/tr&gt;&lt;br /&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;img style="visibility:hidden;width:0px;height:0px;" border=0 width=0 height=0 src="http://counters.gigya.com/wildfire/IMP/CXNID=2000002.0NXC/bHQ9MTIyOTU2MzU1NTM1OSZwdD*xMjI5NTYzNTkyMDkzJnA9MjA*NDMxJmQ9UVlGJm49YmxvZ2dlciZnPTEmdD*mbz**OGE3ZDRjMjRjYTc*YjllOGVlYjkxYTc3MDkyZDJhOQ==.gif" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-4708165741100218872?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2008/12/my-quiz-from-quizyourfriendscom.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-4087428835605355375</guid><pubDate>Wed, 03 Dec 2008 19:28:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-12-03T17:46:47.930-02:00</atom:updated><title>Fim de ano</title><description>&lt;div align="justify"&gt;É fim de ano e ele precisa fazer seu corre. "O negócio é chamar o parceiro", pensou enquanto acendia um cigarro sem filtro. "O Marquinhos não vai topar. É arregão". Pensou no Caroço, no Açaí e no Diogo, mas decidiu por fim levar o papo com Juçá, que nunca negou fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É simples. É só pilotar a motoca e já era".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram. Duas da tarde, perto da Oscar Freire. Uma perua falava ao celular com o vidro aberto, sopa de minhoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Aí tia! Passa a bolsa, passa a carteira, anel, corrente, não olha na minha cara, vai passando, vai logo tia, vai senão vai tomar pipoco, vou estourar tua cara, tá muito devagar, passa passa passa, filha da puta arrombada, acha que eu tô de brincadeira nessa porra, passa essa merda pra cá logo, pronto, pisa Juçá!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaram pra trás a mulher, que teve de ser socorrida no trânsito, estatelada no meio de uma crise nervosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos fundos do boteco do Maia, fizeram a partilha. Deu um levado bom para cada um, Juçá ainda pediu para ficar com anel em troca de deixar o grosso da grana para o parceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vai vender onde?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vou vender nada".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Xi, vai sair de anelzinho no dedo? Tá queimando a rosca?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vai te foder. O anel é pra uma mina que tô de olho. Delicinha. É burguesa, pego ela na frente do colégio. Vou botar no dedinho dela. Depois vou botar no cuzinho dela, tá ligado?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ih mano, tá catando patricinha? Logo você, negão invocado? Fica ligado, malandro!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juçá virou as costas e saiu. No fundo, estava certo. Pra quê a gente faz essas coisas senão pelo status? Nada como pagar de playboy pra conquistar uma princesa. "Vou eu agora sair e comprar o presente da nêga, agora é hora".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fim de ano, ele sabe que a 25 vai estar lotada. Todo mundo precisa fazer seus corres.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-4087428835605355375?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2008/12/fim-de-ano.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>2</thr:total></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-19391583.post-706916790766218671</guid><pubDate>Sun, 30 Nov 2008 01:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-11-29T23:39:36.794-02:00</atom:updated><title>Não gosto de sol</title><description>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AUSÊNCIA&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Por muito tempo achei que a ausência é falta.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E lastimava, ignorante, a falta.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Hoje não a lastimo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Não há falta na ausência.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A ausência é um estar em mim.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;----------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não acho mais bonito fazer poesia da dor. Só que, tal como num piano de uma tecla só, meus sentimentos se oferecem numa única nota, que fica soando no oco da minha cabeça, não importa quantas melodias eu jogue por cima pra cobrir tudo. Me exaspero com essa sensação medonha, mas é um labirinto do qual não consigo sair. Estou pagando o preço de ser quem eu sou. E quanto mais reclamo, mais dobrado pago.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;--------------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não gosto do sol. Não gosto da luz do sol. Não gosto do calor do sol. Não gosto de ler coisas como "você é meu raio de sol". Só quem deveria gostar do sol são os seres que fazem fotossíntese. Nós, humanos, deveríamos encarar o sol como um mal necessário. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A noite sim é bonita. As luzes da noite, as caras da noite. O silêncio da noite e até o barulho da noite. A noite traz no silêncio da lua uma discreta cumplicidade para minha alma atormentada, enquanto no sol eu sinto sempre um escárnio, um descaso, um tapa na cara na manhã de cada dia. A noite é curta e deixa saudade, enquanto o tempo que passamos debaixo do sol é infindável. É uma visita inconveniente que não sabe a hora de ir embora. Se eu pudesse, eu desligava o interruptor do sol e viveria sempre na noite, cortinas fechadas. Vibro quando nuvens pesadas tapam o sol. Eu quero que chova, quero que o sol se foda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando criança, eu desenhava o sol sempre sorrindo. Hoje eu sei por quê: o sol sorri mesmo. Escarnece da gente. Porque o homem pisou na lua (é o que dizem...). Mas nunca vai pisar no sol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/19391583-706916790766218671?l=sonhosecliches.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</description><link>http://sonhosecliches.blogspot.com/2008/11/no-gosto-de-sol.html</link><author>noreply@blogger.com (Deco Ica)</author><thr:total xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'>0</thr:total></item></channel></rss>