sábado, fevereiro 02, 2008

Defuntos

Planos.

Quero mudar minha vida a médio prazo. Percebi que debaixo do tapete da minha existência tem um montão de cadáveres. Cadáveres cujo grau de fedentina varia de acordo com o tempo decorrido de seus passamentos. Alguns estão lá há anos, e minhas narinas já se habituaram a seu odor putrefeito. Um cheiro semi-azedo, agridoce, como diria Cirilo Fernandes. Há outros cadáveres, contudo, cujos odores de mortes recentes ainda me provocam náuseas localizadas. A lembrança viva de tais cadáveres me exaspera. Penso no que eles foram e no que eu mesmo era.

Tentei desovar essas lembranças de dentro de mim. Mergulhei em outras coisas, no trabalho, em preocupações maiores. Tentei buscar soluções para os problemas, pois é isso que uma pessoa racional faz. Fui parcialmente bem-sucedido. Mas às vezes eu olho pro lado e o cadáver está lá. Eu dou uma banana a ele, mas ele está lá. Não é culpa dele. Como diria Lavoisier, nada desaparece. Tudo se transforma.

E eu tento operar essa transformação em mim. Tudo passa, em estágio inicial, por um recrudescimento da auto-estima. Conscientizar-se que eu sou um cara legal demais. Pelo menos por maioria de votos. E que não vale a pena pensar em certas coisas, certas pessoas e certas situações.

Ao mesmo tempo, há um cadáver futuro em minha mesa. Um cadáver que eu não gostaria de ter de sepultar. Porque ele representa muito pra mim. Mas já estou preparando a pá, as flores e o adeus. Por haver mais amor, talvez haja também mais desapego de minha parte.

Em suma, eu serei feliz.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Agora é só comprar um revólver e brincar de Deus.
heheheheehehehehehe
Vc será sim, muito feliz. Vc merece, meu querido.

Beijos e toda sorte do mundo pra vc!

fevereiro 02, 2008 10:28 PM  
Blogger Hugo Lorenzetti Neto said...

já fiz a sugestão.

fevereiro 07, 2008 1:38 PM  

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